Se você me aceitar...
E mais uma vez, eu acordo sozinha nesse quarto tão grande e tão vazio. Ele sai antes de eu acordar, e nem se despede, algumas vezes eu sinto um leve selar na minha testa.
E todas as vezes, eu me pergunto "Que tipo de relacionamento é esse?" Mas eu sabia de tudo quando me meti nessa confusão.
Eu não sei mais distinguir quando tudo isso começou, mas talvez eu saiba quando vai acabar.
Fecho os olhos e deixo as lágrimas caírem, meu celular vibra e era Ele.
"Bom dia querida, tive que sair mais cedo de novo...
Você sabe, as coisas não estão fáceis."
Visualizo a mensagem pelo ecrã, e vou em direção ao banheiro, um banho Premium era tudo o que eu precisava.
Devaneando entre uma música e outra, o celular toca. Eu sabia bem quem era, mas dessa vez eu não queria e nem conseguia fazer esforço para atender.
E assim, passou o dia focando nas minhas necessidades básicas e sem coragem de olhar as mensagens, retornar as ligações.
Eu sabia que teria que enfrentar a situação,mas naquele momento eu não iria tomar nenhum partido.
De repente a campainha toca, olhei no relógio não era o horário habitual dele vir. E a pessoa tocava incansavelmente a campainha.
Abri a porta, lá estava ele, dessa vez diferente. Ofegante e vermelho.
- Por que me ignorou o dia todo? - Questiona ele adentrando e fechando a porta
Começo a encara-lo pedindo que aquilo fosse o suficiente como resposta.
Ele suspira cansado
- Ficar muda não vai resolver a situação, a nossa situação. - Ele tenta novamente.
Suspiro e começo a falar:
- Estou cansada... Disso tudo, de viver as escondidas, de ser a outra... - Desabafo.
- Você sabia que seria assim, e já conversamos sobre isso. - Ele senta ao meu lado, tentando acariciar minha coxa.
Me afasto em resposta a ação.
- Esse é o ponto, não quero migalhas, nos sabemos como isso termina. Por que prolongar tanto? - O encaro.
- Não, você não sabe como isso termina... - Ele me encara e continua:
- Eu abri o jogo, pedi o divórcio. Eu amo você, e eu quero mostrar pro mundo que você é minha. - Ele continua o contato visual.
- Você... O que? - Respondo gaguejando.
- Eu quero ser seu, se você me aceitar, nunca mais eu volto lá - Ele me responde.
Eu só consigo chorar e abraça-lo, logo respondo:
- Eu te aceito - seguro seu rosto com minhas duas mãos e misturo nossas respirações ainda mantendo o contato visual.
E dessa vez ele tinha razão, eu não sabia o final daquela história, da nossa história.

Comentários
Postar um comentário